Eu acordo às 8h, visto-me, maquilho-me, tomo o pequeno almoço, saiu de casa, entro no carro e vou para o trabalho.
Dou os bons dias à senhora da pastelaria, dou os bons dias ao senhor que vai buscar o pão, ao carteiro, aos miúdos que vão para a escola e entro na óptica.
Guardo as chaves sempre da mesma forma, tiro o portátil da mala, coloco o tapete na rua, abro o toldo vou ler os jornais, ligo à minha colega de trabalho, sorrio, brinco com ela... todos os dias a mesma coisa.
Mas hoje é o meu último dia de trabalho e apesar da rotina, o sentimento difere.
Uma falta, um vazio, um não saber o que me espera.
E o pior de tudo é que eu amo o que faço, sou feliz, divirto-me, adoro as minhas colegas e tenho sempre mais vontade de aprender e fazer cada vez melhor a mesma coisa que eu já faço há uns anos. O motivo não é a crise, não é a falta de vendas, é simplesmente esta minha obsessão pelo fazer melhor. Preocupo-me demais, gasto as minhas energias em preocupações que não me competem e levo por tabela por isso mesmo. Pois é, há patrões que não gostam dessa preocupação exacerbada dos funcionários, a minha é uma delas.
E o pior de tudo é que eu amo o que faço, sou feliz, divirto-me, adoro as minhas colegas e tenho sempre mais vontade de aprender e fazer cada vez melhor a mesma coisa que eu já faço há uns anos. O motivo não é a crise, não é a falta de vendas, é simplesmente esta minha obsessão pelo fazer melhor. Preocupo-me demais, gasto as minhas energias em preocupações que não me competem e levo por tabela por isso mesmo. Pois é, há patrões que não gostam dessa preocupação exacerbada dos funcionários, a minha é uma delas.
Hoje é o meu último dia por aqui, mas não me sinto triste. Porque a vida não precisa estar perfeita para saber que a felicidade existe. Não preciso de grandes acontecimentos para ter a certeza que ela não é conversa de escritor. Porque ela mora mesmo é nas pequenas coisas. Como aquele almoço no japonês no último feriado. Como as tardes que passamos colados ao sofá, sem inércia, apenas movidos pelas imagens da tela. Como aquela viagem de carro, a contemplar a paisagem. O Alentejo é lindo de todos os ângulos, mas em especial naquele que eu tenho visto ultimamente. E eu não vou me esquecer.