Certa vez de tanto que as saudades me calejaram, cheguei a vê-lo. A primeira aparição foi numa banca de mercado. Lá estava ele de costas. O cabelo moreno ondulado e o jeito de baloiçar as chaves entre os dedos, denunciaram-no. A partir daí os encontros começaram a ser frequentes. Via-o a cada esquina, a cada olhar.
Da janela da minha casa avistava-lhe a silhueta ao luar enquanto fumava o ultimo cigarro antes de ir pra cama. Era rotina.
Na praia chegou a quebrar as ondas de mãos dadas comigo. O mesmo toque, o mesmo andar. Até a forma como gargalhava, jogando a cabeça para trás, e colocando as mãos na cara, era igual...
Por diversas vezes lhe senti o calor de um abraço. Aconchegante. Preciso. Uno.
No jardim maltratava as violetas cuidadosamente regadas à minutos atrás e beliscava as pontinhas dos guardanapos. Tal e qual.
Mas um dia falei com ele e a voz, ah, a voz (!!)... aquela voz não era a mesma e ele deixou de aparecer.
porque sim
Há 8 anos