
Naquele dia depois da conversa rápida e fria que tivemos, confesso, que fiquei triste. Mas pela primeira vez, por ti.
E não há dia nenhum em que eu não me pergunte a mim mesma, que outra pessoa teria a paciência de ouvir os maiores absurdos que eu ouvi vindos de ti, um homem feito?
Que outra mulher consentiria o que eu aturei durante tanto tempo?
Nunca chegaste a saber que o meu gosto pela culinária se deveu a ti, porque eu queria que sentisses orgulho em mim no dia em que provasses a minha massa deliciosa. Massa essa que nunca irás comer, porque é tanta a comida plastificada, estragada e sem sal, que tu próprio começas a perder o paladar para o que a vida tem de bom.
Talvez tu já não saibas o maravilhoso que é acordar ao lado de alguém ou ficar em casa numa sexta à noite entre pizzas, sorrisos e filmes… não sabes como isso é infinitamente melhor que uma noite ao lado de uma gaja que ficou contigo só para namorar a tua casa e todos os teus luxos.
Nós tínhamos tantas certezas num futuro em conjunto que não há como eu não me rir de tudo o que foi dito e feito. Não há como não me rir do papel de palhaça que eu mesma fiz… enquanto tu te dividias numa vida dupla onde palavras e actos eram precisamente iguais. Originalidade nunca foi o teu forte, mas pelo menos os nomes não trocaste. Mas sim, fiquei desapontada, imensamente desapontada, porque quando estiveste com medo da vida, foi no meu optimismo que encontraste forças. E quando tudo te parecia um circo, era no meu realismo que encontravas um pouco de chão. E quando precisavas de te sentir especial e amado era para mim que ligavas… Quer dizer, para mim e pelos vistos para ela e quem sabe, para mais quantas elas que passaram pela tua vida…
Eu passei um ano da minha vida a escrever sobre o quanto tu eras especial e o quanto eu te amava… mas, (há sempre um "mas") houve um dia em que as luzes se acenderam. E nesse dia eu percebi, finalmente, o quanto tu és tão e tão somente um gajo burro que irá passar a vida a contentar-se com migalhas por causa dessa burrice.
Tadinho.