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As olheiras acentuadas denunciam a noite anterior recheada de excessos que terminara quase às oito da manhã. O álcool adormeceu-me os sentidos, a atitude, a razão para dar lugar à irracionalidade de actos desmedidos.
Por dentro continuo uma miúda – no melhor sentido da palavra. Sempre corri pelos desejos, sempre fui impulsiva no que toca a sentimentos, vou com o vento e com ele acarreto todas as adversidades e impossibilidades que as minhas acções me possam causar, mas apesar de tudo, sou livre de culpas. Acredito no presente, no momento e talvez por isso tenha tantos problemas com os planos a longo prazo. E é assim que levo a minha vida instável e diferente do que qualquer mãe sonha para a sua filha única.
Levantei-me a custo e espreitei pela janela do quarto o dia solarento que queimava o cérebro dos que vivem uma vida organizada, regrada e cheias de horários, afazeres e lugares predeterminados.
Depois voltei à cama e nunca mais me levantei… até a noite cair.