Mas quem é que tu pensas que és? Achas que tens o direito de voltar, revirar a minha tranquilidade, conquistada a duras penas, pelo avesso e desaparecer como se nada fosse?
Estou cansada! Estou farta desse vai e vem. Eu já chorei, já sofri, já desisti, mas segui em frente e aqui neste lugar, que ocupo hoje, não existe espaço para ti.
Chega!
Vai-te embora de uma vez, mas não me faças isto. Não te quero ouvir cantar, não te quero ouvir dizer que o amor que sentes por mim não se apaga com uma simples saída. Não te quero ouvir dizer que somos perfeitamente desenhados um para o outro ainda que tenhamos diferentes visões sobre o mundo.
Estou cansada! A minha vida estava a ir bem. Estava calma e tu voltas e estragas tudo.
Porquê? Porquê agora?
Eu choro, eu luto, eu grito, mas eu garanto-me sozinha. Sem aditivos. E garanto-me com este meu coração que me engole. Garanto-me nos dias de sol e nos chuvosos também. E o que é certo é que eu não quero essa felicidade inventada em que vivíamos, eu quero o que sou agora, o que eu era antes de te conhecer. Porque dinheiro nenhum paga a sensação de ir dormir feliz comigo mesma, com a certeza de que se está no caminho certo, ainda que a estrada seja longa e perigosa. Mas de repente tu apareces, falas-me da tua musica nova e pedes-me que a oiça contigo e dizes que o amor não passa assim de um dia para o outro. Mas passa sim, meu querido, e este vai passar também, porque eu quero e ponto final. Eu deveria era ter desligado a net no exacto momento em que te vi entrar. A vida tem estado tão linda, tão calma e o céu do azul que eu gosto, mas tu reapareces e estragas o meu sossego e ainda me queres fazer sentir culpada por não te ajudar.
Chega!
Estou cansada!
De cada vez que apareces na minha vida é para baralhares tudo e depois tornas a desaparecer e eu procuro-te e voltas a ignorar-me e depois dou comigo, melancólica, a pensar nos momentos que passamos juntos, nas gargalhadas, dos vários duetos acompanhados da tua viola, das tuas palavras, do teu carinho, do teu amo-te pendurado num beijo… dou comigo a pensar no tempo em que eu e tu éramos nós. Mas chega! Já não aguento isto, passou, é passado. Já não volta. Não consigo esquecer tudo e simplesmente dizer que também tenho saudades tuas, que também te amo. Não me consigo esquecer de todas as vezes que me quiseste congelar enquanto dizias para te esperar mais um bocadinho, para verificares se não havia mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E eu esperava e tu voltavas. Sempre voltaste. Ainda voltas. Mas eu fartei-me de esperar e há muito que deixei de o fazer, porque se há coisa que não faço e nunca fiz é arrastar alguém à força que não sabe se me quer acompanhar.