quarta-feira, 26 de novembro de 2008




















Oh Ivete, onde compraste as tuas, haviam em igual, mas para 1,55m de altura?

domingo, 23 de novembro de 2008

Domingo à tarde.

Sozinha em casa.

Uma preguiça exacerbada.

Nos ouvidos, uma certa música de Incubus no repeat.

Vários filmes à minha espera.

O bom e velho chocolate na cozinha.

O telemovel ao alcance de um passo.

A imagem da noite passada que me assola o pensamento a cada segundo.

Uma vontade do tamanho do mundo.

E um bichinho que teima em atacar-me o coração.



... é aí que mora o perigo!

domingo, 16 de novembro de 2008

Quinze do onze de dois mil e seis.

Despidos.
Abraçados.
Quentes.
Dois corpos deitados lado a lado. Ela observava-lhe o rosto com toques precisos através dos dedos e ele, sem que ela adivinhasse, sustinha a respiração enquanto contava, mentalmente, os segundos que anteviam o grande momento. Depois, na hora certa, soltou as amarras dos lábios e num beijo sussurrou: 'Parabéns amor!'

Era a mulher mais feliz do mundo naquele momento.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008


Sábado à noite e eu juro que a última coisa que queria era tirar as pantufas e calçar os saltos. A vontade de escolher a roupa e delinear os olhos era nenhuma, mas eu enchi-me de coragem e fui, porque há pessoas que não merecem ouvir um não.

O ambiente era o do costume, os amigos do costume, a musica do costume e eis que ele se aproxima sorrateiro:


- Olá desaparecida!

- Não tenho andado desaparecida… (apenas não te queria encontrar)

- Já tenho saudades tuas…

- (Minhas e de mais quantas?) Humm…

- Ia enviar-te mensagem para nos encontrarmos este fim de semana…


E neste momento ocorreu-me como é que duas pessoas que não têm nada a ver uma com a outra, conseguem estar juntas durante tanto tempo. Ainda que esse ‘tanto tempo’ sejam uns míseros meses. Sim, porque ter alguns gostos em comum e partilhar os mesmos amigos e algumas boas gargalhadas, não tem, necessariamente, que ver com afinidade e relacionamentos.

- Que tens feito ultimamente?

- Estudar, sabes como é… enquanto não entrar no ritmo, é complicado…

- Pois é…


Nós estudámos na mesma escola. O melhor amigo dele é namorado de uma grande amiga minha. As nossas mães são amigas desde crianças e ainda hoje costumam sair juntas. Ele é giro, tem aquele corpo escultural que eu adoro e uns olhos que são um charme… Enfim, ficávamos bem juntos. Mas não bastava. Para mim não bastava. Porque tudo aquilo que ele tinha para me mostrar eram apenas referências e as referências não me arrebatam, não me sacodem a alma, não me dão um choque eléctrico no coração.


- Vais ficar por aqui hoje?

- Talvez…

- Ia convidar-te para irmos até qualquer lado beber uma cerveja...

- Eu não gosto de cerveja, lembraste?


Ele não sabe nada de mim. Não sabe que odeio cerveja, que abomino o fumo de cigarros. Não sabe que não tolero que me imponham regras, como ele tentou um dia. E por isso até hoje, quase três meses depois, continua a pensar que desapareci da vida dele por causa das aulas, do muito trabalho e acha-se bom demais, grande demais, para sequer colocar a hipótese que o factor principal seja, simplesmente, porque já não o quero.

- Bem, eu vou ter com elas. Já devem andar à minha procura. Vemo-nos por ai!


E fui.

Porque alguns encontros são mesmo dispensáveis, visto que nos colocam diante situações que só provam o quanto o tempo é implacável e pior, o quanto cometemos erros crassos.
Às vezes mesmo sem querer.

sábado, 25 de outubro de 2008

Até hoje.

Para não sofrer drogo-me de outros, entupo-me de elogios e visto-me de máscaras para não parecer tão romântica. Mas já não tenho a mentalidade dos 15, portanto já chega de me sujeitar ao ridículo! Nem uma lágrima sequer, nem um segundo de olhar perdido no horizonte, nem uma musica triste nos meus ouvidos.
Eu sei o quanto me vou sentir cansada de fugir da dor, o quanto vai ser falso ignorar as presenças. Mas vou correr o mais que posso. Vou fitar cada súplica do meu coração, sempre com um sorriso que camufla o medo de não ser nada daquilo que um dia pensei ser, quilos de maquilhagem para esconder os buracos causados pela solidão e alguma roupa colorida, só alguma, para esconder a falta de tranquilidade e de certezas no meu caminho.
Estou cansada das promessas de compra e das devoluções gastas do meu corpo. Estou cansada de expor os meus sentimentos. Não vale a pena, porque no final tudo acaba por terminar. E é triste chegar à conclusão que todos os homens que passaram pela minha vida não me souberam ver para além da “casca”. Mas ok, tudo bem, tu foste só mais um. Então aqui tens: peito, rabo, barriga, pernas e o buraco que tu tanto queres.
Leva-me de uma vez e engana-me por alguns dias. Tu és igual a todos os outros e todos os outros não valem nada!!
O amor não existe e se existe, não dura para sempre. E, se não dura para sempre, não é amor e nada dura para sempre, portanto o amor não existe. E a verdade é que mais cedo ou mais tarde tu, também, serás traído, porque toda a gente tem medo de viver a entrega. E a verdade é que ninguém se entrega, porque ninguém se tem.

Pior que a tristeza que carrego hoje, só a vergonha que me enoja.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O depois.
















Nos dias seguintes pensei em eliminar todas as tuas mensagens, o teu número, a tua imagem da minha mente, mas não consegui.
Pensei em ligar-te, atropelar o meu orgulho e dizer-te o quanto me dói a tua ausência. Lembrar-te dos sonhos que tínhamos em comum, projectos de vida e perguntar-te onde foi que nos perdemos… mas não o fiz.
Pensei em dizer-te que ainda te quero por perto para viajarmos durante horas para lugar nenhum e terminarmos o dia no sofá da minha casa, para me elogiares enquanto canto e me dares a certeza de que ainda é possível, mas a voz falhou.
Pensei ainda em questionar-te os silêncios, a traição, as lágrimas… mas nenhuma resposta teria perdão.

…

De tudo o que vivemos, ficou este gosto a pouco e uma vida inteira para lamentar…
Não merecíamos o fim que tivemos.
Não merecíamos o fim.
E tivemos.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O belo da noite.

É esse teu jeito desleixado que me convida a sentar e a ficar.
É assim que te vejo. Lindo na camisola às riscas que eu tanto odeio. E enquanto te vou descrevendo mentalmente, mantenho-me quieta e calada, escutando com atenção tudo o que dizes, o que não dizes e todos os gestos que te seguem os movimentos. Fico quieta, sentada na outra ponta da mesa apenas a absorver toda essa beleza esmagadora. Feliz por ao menos respirar o mesmo ar que tu. Partilhar do mesmo espaço que tu.
E de vez em quando trocamos olhares e ficamo-nos envergonhados a tentar remediar o facto dos nossos olhos quererem mais do que se lhes pode dar. Não sei explicar a emoção que é ver-te de cada vez que entras por aquela porta, na tua postura típica de miúdo desajeitado, mas sei o quanto é infinitamente maravilhoso poder beber-te, observar-te, deliciar-me com cada milímetro da tua presença. Sei que será por pouco tempo, pois somos pássaros diferentes, de mundos opostos e em breve a noite termina e tu voltas a ser o miudo calado do teu grupo de amigos. Todos na casa dos 18. Todos com vícios e manias e uma sede enorme de ganhar o mundo. Todos musculados e sem saberem muito bem o que fazer com tanta beleza e pouca idade. E eu volto a ser a predadora que tu conheces, apenas sequiosa por mais um desejo carnal e nada mais. Mantendo discreta a esperança de que um dia o homem charmoso, mais velho e completamente apaixonado por mim, apareça e me leve com ele para aquele paraíso que desconheço.
Mas enquanto a noite não termina, fiquemo-nos por mais uma bebida. Fiquemo-nos pelas conversas despretensiosas, mas recheadas de detalhes. Fiquemo-nos a devorar a presença um do outro ainda que calados. A trocar olhares ainda que inocentes. A mirar o nada, ainda que visível. Fiquemo-nos nas palavras não ditas e nos suspiros gritados.
Sim, fiquemo-nos…
Porém promete-me que sempre que a noite cair tu estarás no mesmo lugar, sentado na mesma cadeira, à mesma hora, a beber da tua cerveja, para que te possa encontrar sempre que a feiura do mundo me visitar e então fiquemo-nos, uma vez mais, hipnotizados enquanto o silêncio nos ganha de vez. E nos afasta.